Falar com Frutas


- Sou saboroso!

Assim falou o melão, falavam todos. Juntos em caixa.

Não basta mais ser amarelo, limpo e bem embalado, o melão quer falar sobre suas vantagens, sua personalidade única. Ele se diz saboroso, mas baseia-se na minha ignorância. O tecido que o envolve, a caixa e até mesmo sua cor não são garantia de sabor.

Quisera poder confiar nos melões, vê-los crescer em solo fértil e livre de agrotóxicos e outros poluentes. Por hora, tentam me seduzir com discursos e palavras vazias repetidas à exaustão.

Perder-se

O mundo continuou lá, mas foi a minha percepção que alçou vôo.
Lá, por um minuto, eu me perdi.
Voei sem asas, sem rodas. Não achei palavras, não havia mais música.
Tentei me recompor com medo da queda. O terror dos cortes e as lascas de pele que se vão e ainda assim continuamos os mesmos.
Felizmente passado e futuro são apenas uma nebulosa ficção.



Ouvindo Radiohead:
- Karma Police

- Stop Whispering

Equilibrar

Sem as mãos, pode-se abraçar o vento, ou apenas senti-lo passar. Quando se tem confiança no que se pode esperar, resta apenas abrir os braços, sentir o vôo. Pés nos pedais, as rodas que giram em silêncio. Flutuamos, sustentados apenas por borracha e ar.

Sempre à frente. Uma pedalada a menos e velocidade baixa demais, um corpo que cai.

Caminhar



Reflexões de um pedestre perdido:

Nada abafa os pensamentos, mas a música é capaz de ditar o ritmo, orientar reflexões. Enquanto pés e pernas, seguem inabaláveis rumo a um destino incerto e variável. A mente pesca os fragmentos da paisagem enquanto passeia pela memórias. Frases ditas e não ditas. Um beijo ou forte abraço.

O Rio continua lindo, mas nem sempre é bom estar apaixonado.

Dançar

Tudo pronto para a música, fazem faltam os casais para dançar. Os amores eternos, fraternos e os que só duram uma noite.

Chegarão logo tomarão a pista, cercados por admiradores solteiros e os de pernas cansadas. Aos que dançam, resta a intimidade veloz da dança, o calor dos corpos e o suor que escorre para se transformar em felicidade.

Pensamentos no Ar



As ondas eletromagnéticas estão por todos os lados. São as vezes capazes de nos fazer ler pensamentos. Um celular e um fone de ouvido com microfone acoplado.

Repetinamente a música pára e ao apertar um botão uma voz surge direto no cérebro. Não estou mais sozinho, troco pensamentos com meu interlocutor invisível. Agora é minha mente que navega nas ondas eletromagnéticas.

Será que não estou mais sozinho assim?

Vizinhos invisíveis


molly, upload feito originalmente por spinakee.

Partilham da nossa comida, estão sempre logo ao lado. Tem um domínio que desconhecemos sobre nossas casas e cidades. Andam solitários pelas sombras à noite.

Efetivamente, esses roedores são os companheiros mais inseparáveis dos humanos. Indício claro das origens do homem euro-asiático que domina hoje o mundo inteiro.

O que será dos ratos sem os homens. Que rumos devemos tomar para que dentro do ciclo de vida humana estejam inseridas outras espécies, não apenas vetores de doenças e animais domesticados.

Futuro Incerto


Along the trail, upload feito originalmente por lungstruck.

Sem a presença humana aos poucos o legado de concreto, aço e asfalto seria novamente conquistado pela vida. Espera-se ser possível uma convivência entre humanos e as demais formas de vida. A harmonia certamente é um caminho verde a ser trilhado.

Solidão


alone bicycle, upload feito originalmente por anhbdh.

Vazio,
Quisera não ser sozinho.

Uma certa dor que se ressente
Ciclica...

Aplacada?
Um mal que não se cura.

Num coração sozinho.

O ser, o estar, o sonhar
Todos juntos.

ENGARRAFAMENTO - 1954


ENGARRAFAMENTO - Centro - 1954, upload feito originalmente por CARIOCA DA GEMA.

Ah se eles apenas tivesse olhos pra ver...

Ouvidos para ouvir...

E um nariz para cheirar...

Um pulmão para respirar...

Planejariam mais verde, mais flores, mais gente.

Chegaremos lá, afinal, alguém tem que começar a ver antes dos outros... Ver que precisamos de menos carros, de menos pistas para os carros e de mais espaços agradáveis para as pessoas.

Por fim, Gilberto Freyre...

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.

Lembrando Jorge da Capadócia:

(...)

Perseverança, ganhou do sórdido fingimento

E disso tudo nasceu o amor

(...)