Flanar na chuva é uma arte. Aos poucos não há mais água, o corpo está levemente molhado e só importa o destino. Ser urbano é saber esquivar-se e procurar sempre um novo abrigo é estar nu, mesmo vestido. Pode haver uma guerra ao lado, mas o que importa ao caminhante é não se deixar encharcar.
Flanar na Chuva
Flanar na chuva é uma arte. Aos poucos não há mais água, o corpo está levemente molhado e só importa o destino. Ser urbano é saber esquivar-se e procurar sempre um novo abrigo é estar nu, mesmo vestido. Pode haver uma guerra ao lado, mas o que importa ao caminhante é não se deixar encharcar.
Viver Urbano
Descalço
Há tanto dureza no mundo.
Encaro tudo de pés descalços.
Viver fluido.
Da aspereza do asfalto, nasce grama plástica.
Vida Gira
É a vida que gira, os pedais propelem. Um pouco se encaixa a cada dia.
Tudo sempre faz um pouco de sentido mas raramente é possível ter a paciência necessária para esperar uma resposta.
Não fosse o dinheiro que se transmuta em comida. Não fosse a comida que sustenta o amor. Não fosse o amor depender do outro. Seria tudo fácil demais. Até demais.
Ainda assim, desistir é sempre mais difícil e mesmo quem aceita não consegue ser capaz de se abaixar e deixar que tudo passe. Viver é ver o que se passa de cabeça erguida e mirar no horizonte. O sol gira, mas a montanha sempre estará lá, mesmo no escuro.
Tudo sempre faz um pouco de sentido mas raramente é possível ter a paciência necessária para esperar uma resposta.
Não fosse o dinheiro que se transmuta em comida. Não fosse a comida que sustenta o amor. Não fosse o amor depender do outro. Seria tudo fácil demais. Até demais.
Ainda assim, desistir é sempre mais difícil e mesmo quem aceita não consegue ser capaz de se abaixar e deixar que tudo passe. Viver é ver o que se passa de cabeça erguida e mirar no horizonte. O sol gira, mas a montanha sempre estará lá, mesmo no escuro.
de Passagem
Um outro sábado e o sol se vai sem a lua.
A vida ao redor se assemelha a um parque. Lazer para o resto da cidade e passagem diária para os locais. Mesmo sabendo o caminho, por vezes, pode-se estar perdido e tão perto de casa.
Quisera estar a milhas de qualquer parte ou buscando encontros em uma nova cidade. Mas a vida é um eterno recomeço seja onde quer que se esteja.
Ouvindo Cat Stevens:
Another Saturday Night
Miles from Nowewhere
Amizade
Em família, só vejo números, anos que passam, filhos, netos, sobrinhos. Inevitável não sonhar com o futuro e não sentir dor pelo passado. Fazem falta domingos felizes, o amor fraterno e o lascivo. Fazem falta os altos e baixos.
Sinto saudades de viver o presente em nome do futuro, ver crescer o amor e fazer planos.
"(...) e é morrendo que se vive para a vida eterna."
Talvez seja assim também com os amores, na dor da perda que se eternizam, infinitos. Não há regra definitiva, nem talvez igual a sempre. Fazem falta certezas. Para todos, elas já se foram. Resta-nos um navegar incerto que nos conclama a decidir tudo de novo.
Já posso ver cada vez mais os erros. Anseio pelos acertos, mas não posso acertar sozinho. Por hora refugio meu amor nos amigos.
O Sol
- Vá sentir o vento! - Comanda.
Mesmo no fim, o sol de inverno se vai muito cedo, some atrás da montanha, deixa sua luz e aos poucos abre caminho para as estrelas. São poucas as que não se deixam ofuscar pelo brilho das luzes da cidade.
Haverá sempre outro dia, e do mar surgirá mais uma vez o sol. E não há tesouro que tenha valor sem alguém com quem reparti-lo. Cobrir-se de ouro e estar só é guerra sem vencedor.
On the mountain was a treasure buried deep beneath a stoneOriginal Caste - One tin soldier
(...)
"With our brothers we will share
all the secrets of our mountain, all the riches buried there."
Livre?
Não meço a distância, nem espero ser sempre o mesmo caminho.
Vou e volto, mas quem gira sempre igual são apenas as rodas. Cada dia que passa e não sou o mesmo, não fico mais moço, mas sinto forte a minha tenra juventude que se foi, sem no entanto deixar-me velho.
Anseio contruir meu futuro, mas sem saber onde está o cimento.
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Não há paz, apenas sol. (Nada Surf - Hyperspace)
Pela Noite

Certas músicas carregam pedaços de sentimentos alheios que servem ao que sentimos, mas nem sempre. Talvez melhor fosse estar num Boulevard de sonhos estilhaçados.
Há passos, memórias. Mas acima de tudo, paira um certo inexplicável conforto.
Saber-se só, sem sê-lo.
Nem sempre há trilha sonora para a vida. Há sentimentos que não se curam, nem tão pouco se explicam. Faltam músicas que possam conter ao mesmo tempo a alegria e a dúvida, a incerteza e o prazer de seguir sem saber o destino.
Meu tempo é quando?
Meu lugar é onde?
Frias são as pessoas que de há muito esqueceram como pode ser aconchegante a comunhão humana e quanto consolo, conforto, encorajamento e simples prazer se pode obter dividindo a própria sorte e esperanças com outros - "outros como eu" ou, mais precisamente, outros que são "como eu" exatamente por dividirem minha sorte, minhas misérias e sonhos e, mais ainda, por me preocupar com sua sorte, sua miséria e sonhos.
Zigmunt Bauman - "Em busca da Política"
Pelas Ruas
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