
Certas músicas carregam pedaços de sentimentos alheios que servem ao que sentimos, mas nem sempre. Talvez melhor fosse estar num Boulevard de sonhos estilhaçados.
Há passos, memórias. Mas acima de tudo, paira um certo inexplicável conforto.
Saber-se só, sem sê-lo.
Nem sempre há trilha sonora para a vida. Há sentimentos que não se curam, nem tão pouco se explicam. Faltam músicas que possam conter ao mesmo tempo a alegria e a dúvida, a incerteza e o prazer de seguir sem saber o destino.
Meu tempo é quando?
Meu lugar é onde?
Frias são as pessoas que de há muito esqueceram como pode ser aconchegante a comunhão humana e quanto consolo, conforto, encorajamento e simples prazer se pode obter dividindo a própria sorte e esperanças com outros - "outros como eu" ou, mais precisamente, outros que são "como eu" exatamente por dividirem minha sorte, minhas misérias e sonhos e, mais ainda, por me preocupar com sua sorte, sua miséria e sonhos.
Zigmunt Bauman - "Em busca da Política"
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