Para onde olha o caranguejo?
Por vezes olhamos à frente e nossos pés nos põem para os lados. Noutras nos cremos parados e somos levados à frente. Não há visão que alcance por entre as décadas, nem ao menos capaz de ver adiante nas horas. Viver é crer piamente no incerto, mesmo sem querer.
Não há molde que nos defina, nem rotina que nos preencha. Somos o hoje, o agora e num mundo de três tempos agir é contemplar a todos ao mesmo tempo. Resta decidir apenas onde mirar os olhos. Nas dores do passado eternamente irresolvido, nos prazeres do presente imediato ou na busca de um futuro mais iluminado.
O caminho é claro. A pieguice cinematográfica comanda: "O que fazemos em vida, ecoa na eternidade". Somos hoje o retrato de nossas decisões ontem. O passar dos anos nos fazem mais brutos e deixam nosso corpo mais frágil. A cada dia somos brindados pela velocidade crescente e o espelho nos mostra mais lentos.
A roda há de girar, para frente ou para trás.
Nascer, crescer, multiplicar-se e morrer ou como Camus: "Resistir, Rebelar-se e Morrer". Para cada dia que a idade faz-me fraco ei de buscar a força que me faça crer que o que era ontem não é tão bom quanto hoje e o amanhã virá com novas conquistas.
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